Estrada Real: um guia completo para a sua viagem histórica

Escrito por Sheila Almendros
Atualizado em 02.12.20

A Estrada Real é um dos pontos turísticos com maior bagagem histórica no país e chama a atenção de turistas de todos os cantos do mundo. O caminho pode ser percorrido de diversas maneiras e promete oferecer uma viagem diferente e inesquecível para quem se aventurar por ele. Confira informações sobre esse destino a seguir!

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O que é a Estrada Real

No século XVIII, a Coroa Portuguesa criou uma estrada oficial para transportar ouro e diamante de Minas Gerais até os portos do Rio de Janeiro. As trilhas utilizadas somente pela realeza ganharam o título de Estrada Real. Em 1999, o Instituto Estrada Real transformou o percurso em trilha turística, não só para aumentar o número de viajantes na região, mas também para valorizar o patrimônio histórico-cultural.

Mapa da Estrada Real

A Estrada Real possui mais de 1400 km de extensão, passando pelos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Conheça as principais rotas e todas as cidades que abrangem a trilha:

Caminho Velho

Também conhecida como o Caminho do Ouro, a Rota Real Velha foi o primeiro trajeto determinado pela Coroa Portuguesa e liga Ouro Preto a Paraty. Veja as cidades que fazem parte desse itinerário de 710 km:

  • As cidades paulistas de Cunha, Guaratinguetá e Aparecida;
  • Paraty (Rio de Janeiro);
  • As cidades mineiras de Ouro Preto, São João Del Rei, Tiradentes, Congonhas, Entre Rios de Minas, Lagoa Dourada, Resende Costa, São Tiago, Prados, Bichinho, Carrancas, São Tomé das Letras, Cruzília, Baependi, Aiuruoca, Alagoa, Caxambu, São Lourenço, Pouso Alto, Itamonte, Maria da Fé, Itanhandu e Passa Quatro.

Caminho Novo

Esse era o caminho mais seguro até o porto do Rio de Janeiro, e a rota foi criada para proteger as cargas dos iminentes ataques piratas na rota marítima entre Paraty e Rio. O percurso possui 515 km e passa pelas seguintes cidades:

  • As cidades mineiras de Ouro Preto, Chapada Diamantina, Itatiaia, Conselheiro Lafaiete, Barbacena, Antônio Carlos, Juiz de Fora, Ouro Branco, Santos Dumont, Ewbank da Câmara, Matias Barbosa, Simão Pereira e Monte Serrat;
  • As cidades cariocas de Secretário, Pedro do Rio, Petrópolis e Porto Estrela.

Caminho dos Diamantes

O Caminho dos Diamantes possui 395 km e conectava a sede da Capitania, Ouro Preto, à principal cidade de exploração de diamantes, Diamantina. Conta ainda com as cidades de Catas Altas, Mariana, Brumadinho, Santa Bárbara, Conceição do Mato Dentro, Serro, Cocais e Sabará.

Caminho do Sabarabuçu

O Caminho do Sabarabuçu fica em Ouro Preto, cercado por paisagens montanhosas de encher os olhos e lendas contadas pelos moradores mais antigos. Tornou-se uma extensão da Estrada Velha, com 160 km, e conta com os distritos mineiros de Catas Altas, Glaura, Sabará e Caeté.

Agora que você já conhece toda a rota da Estrada Real, que tal escolher como percorrê-la da melhor maneira?

Como fazer a Estrada Real

O site oficial da Estrada Real sugere 4 tipos de opções de transporte, que variam de acordo com o seu perfil de viajante e suas condições físicas. Confira:

Estrada Real de carro e moto

Apesar de ser a opção de transporte mais cara, pois será necessário abastecer o veículo ou a moto várias vezes, é também a mais rápida e confortável. Para se ter uma noção de tempo de viagem, de carro, você percorrerá o Caminho Velho em 8 dias, o Caminho Novo em 6 dias, o Caminho dos Diamantes em 4 dias e o Caminho do Sabarabuçu em apenas 2 dias.

Estrada Real de bicicleta

É uma opção mais barata, porém a que exige maior esforço físico – é necessário muito preparo e disposição para percorrer todas as trilhas de terra e enfrentar o clima do dia, faça chuva ou faça sol. O percurso do Caminho Velho de bicicleta dura 15 dias, do Caminho Novo, 11 dias, 8 dias no Caminho dos Diamantes e 4 dias no de Sabarabuçu.

Estrada Real a pé

Para viajantes mais corajosos e esportistas, a opção a pé pode ser um desafio e tanto – porém muito divertido e mais em conta financeiramente. São 11 dias de caminhada por Sabarabuçu, 27 dias no Caminho dos Diamantes, 35 dias pela Rota Nova e 48 dias pelo Caminho Velho.

Grande parte da Estrada Real não possui asfalto e é formada por subidas e descidas. Portanto, escolha um carro, moto ou bicicleta apropriados para esse tipo de percurso e, caso a aventura seja a pé, não se esqueça de garantir calçados especiais, muita água, lanches e roupas leves.

Atrações imperdíveis

Durante o percurso, você poderá fazer paradas específicas nas cidades de sua preferência e curtir as seguintes atrações:

1. Centro Histórico de Paraty

Com um cenário colonial intocado, o Centro Histórico de Paraty possui uma arquitetura única. Inclui mansões de parede caiadas que abrigam restaurantes de gastronomia variada e a Igreja de Santa Rita e seu estilo barroco, com vista para baía, além de ruas de paralelepípedo só para pedestres, barzinhos com música ao vivo, lojas de artesanatos, entre outras opções charmosas.

2. Praias de Paraty

Passar por Paraty e não dar um pulinho em uma de suas praias seria até um pecado. Aproveite essa merecida parada para recarregar as energias em uma das orlas da cidade. Você pode escolher a Praia do Sono (foto), Trindade, Praia Grande do Saco do Mamanguá, entre outras.

3. Complexo Grão Mogol em Carrancas

Situado a 12 km do centro da cidade, o Complexo Grão Mogol é formado por inúmeros poços e quedas d’águas cristalinas, cercado por rochas e natureza intacta única. O local fica em uma fazenda particular, portanto, além de pagar R$ 20 de entrada, é necessário pegar a chave da porteira na sede – uma fazenda antiga com o mesmo nome. Aberto todos os dias, das 9h às 17h.

4. Obras de Aleijadinho em Congonhas

A cidade mineira de Congonhas foi eleita Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco em 1985, e é no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos que ficam as maiores relíquias da cidade, e também do Brasil: as incríveis obras assinadas por Aleijadinho. São 78 esculturas em tamanho natural, confeccionadas em pedra-sabão, entre elas profetas dispostos no adro da igreja e a representação dos Passos da Paixão de Cristo.

5. Igreja de São Francisco de Assis, em São João Del-Rei

Projetada por Aleijadinho, a construção da Igreja de São Francisco de Assis foi finalizada em 1774, em estilo rococó, e é uma grande referência da arquitetura colonial da cidade. Tal obra se encaixa perfeitamente no estilo turístico da Estrada Real, com gancho para a história de São João Del-Rei e toda a sua importância no período colonial.

6. Passeio de Maria Fumaça São João Del-Rei/Tiradentes

Percorra os 12 km entre as cidades de Tiradentes e São João Del-Rei na Maria Fumaça existente desde 1881, inaugurada por Dom Pedro II. Os trilhos possuem somente 76 cm de largura, sendo os únicos no mundo com essa proporção, e o passeio de 35 minutos oferece a vista das mais belas paisagens da região.

7. Museu Imperial em Petrópolis

Localizado na antiga residência de verão de D. Pedro II, o Museu Imperial conta com um acervo de artigos emblemáticos como coroas, objetos de uso pessoal, mobílias e até uma carruagem, reconstruindo a vida da família real em Petrópolis. A visita proporciona uma aula de história sobre os aspectos políticos, culturas e sociais da época. Os ingressos custam R$ 20 (estudantes pagam meia) e, aos domingos, a entrada é gratuita.

8. Palácio de Cristal, em Petrópolis

A estrutura pré-montada foi erguida em 1884, por encomenda de Conde d’Eu, e inspirada no Palácio de Cristal de Londres e do Porto. Por lá, acontecem eventos sazonais, mas a visitação é liberada durante o ano todo. Antigamente, o edifício abrigava exposições agrícolas e, em 1957, ele foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

9. Casa de Tiradentes

Também conhecida como Fazenda Tiradentes e Casa Velha de Tiradentes, essa construção histórica fica dentro da Fazenda Carreiras. Reza a lenda que o inconfidente passou uma noite por ali durante a sua viagem de São João Del-Rei à Vila Rica, em meados de 1788. A arquitetura original intacta da construção é simples, como as casas daquela época: alvenaria de pedra, barrotes de madeira e vedações de pau-a-pique.

10. Casa de Chica da Silva, em Diamantina

Um dos casarões mais bem preservados da cidade já foi residência da ex-escrava Chica da Silva e seu marido, o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira, entre os anos de 1755 e 1770. O edifício já passou por várias restaurações e hoje funciona como sede do IPHAN, abrigando também trabalhos artísticos que relembram a vida de sua antiga moradora e mobílias da época. A entrada é gratuita.

11. Mercado Velho, em Diamantina

O edifício erguido em 1835 para servir como rancho de tropeiros recebeu uma caprichada restauração em 1997 para abrigar o Mercado Municipal, com feira de alimentos e artesanato. A atração permanece inativa durante os dias de semana, mas, às sextas, o local recebe inúmeros visitantes – não só por conta do comércio aberto, mas também pela música ao vivo.

12. Mina do Chico Rei, em Ouro Preto

A história por trás dessa escavação é a de Chico Rei, um escravo que trabalhava na antiga mina e comprou sua própria carta de alforria com o ouro que escondia em seus cabelos. São 175 galerias abertas, escavadas em três níveis de profundidade, sendo que 325 metros estão iluminados. O local funciona todos os dias, das 8h às 17h, com entrada por R$ 25 a inteira e R$ 15 a meia.

13. Teatro Municipal de Sabará

Inaugurado em 1819, o Teatro Municipal de Sabará é uma das mais antigas Casas de Ópera ainda em funcionamento no país. A acústica do edifício é impecável, e sua arquitetura possui influência dos teatros ingleses no estilo elisabetano. Que tal curtir um espetáculo onde D. Pedro I e II estiveram?

14. Museu do Ouro, em Sabará

Instalado em um edifício de arquitetura do período colonial do século XVII, o Museu do Ouro funcionou em 1731 como a Casa de Fundição e da Intendência. O acervo é formado por peças importantes das atividades mineradoras da época, mobílias e imaginárias. Aberto de terça a sexta das 10h às 17h e, nos sábados e domingos, das 12h às 17h, com ingressos a R$ 1.

15. Paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso, em Caeté

A Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso foi a primeira igreja em alvenaria no país, e quem assinou a sua construção em estilo barroco, em 1757, foi Manoel Francisco Lisboa, o pai de Aleijadinho. Reserve um tempo especial para conhecer o edifício – principalmente o seu interior, pois a riqueza de detalhes do teto ao altar, com toques de dourado, é de surpreender.

16. Casa de Frei Galvão, em Guaratinguetá

A Casa de Frei Galvão é uma das paradas para quem carimba o passaporte da Estrada Real (abaixo, você terá mais informações sobre isso), e o local faz referência ao frei nascido na região em 1739. Tombado em 1972, o edifício abriga um museu que mostra mais da vida de seu antigo morador, com vários de seus pertences e documentos que contam a história de Guaratinguetá e do Vale do Paraíba.

17. Serra do Espinhaço, em Diamantina

A cadeia montanhosa no Planalto Atlântico se estende de Minas Gerais à Bahia e possui um complexo formado pela Chapada Diamantina, Serra dos Cristais, Serra de Ouro Branco, Serra Geral, entre outras regiões naturais. Não deixe de conhecer seus dobramentos geológicos com mais de 2,5 bilhões de anos, que marcaram o final do período proterozoico.

Durante o seu trajeto, você conhecerá inúmeros lugares que te apresentarão mais sobre o nosso período colonial e que, certamente, serão uma lição de história em meio a essa aventura. Divirta-se!

Dicas para a Estrada Real

As dicas a seguir deixarão a sua viagem pela Estrada Real mais organizada, completa e divertida. Confira:

  • Passaporte: o passaporte Estrada Real permite que você registre as cidades visitadas durante o seu itinerário, e os carimbos são garantidos em postos estratégicos de cada destino. Para adquiri-lo, basta se registrar no site oficial.
  • Tipo de veículo: o automóvel mais indicado para fazer o trajeto da Estrada Real é o modelo 4×4. Muitos trechos não possuem asfalto e são repletos de buracos.
  • Dificuldades: no site oficial da Estrada Real, você encontrará informações sobre quais pontos possuem maior ou menor dificuldade. Você pode montar o seu roteiro de acordo com esses dados.
  • Melhor época: o período de seca é o mais indicado para percorrer a Estrada Real, de abril a setembro.
  • Mapa off-line: muitos trechos da Estrada Real possui sinal muito precário de internet e celular, portanto garanta um mapa off-line ou até mesmo impresso para a sua viagem.

Dicas anotadas? E vale reforçar: para que sua viagem seja perfeita, opte por roupas leves, calçados confortáveis, comes e bebes na bolsa e disposição sempre!

Vídeos sobre a Estrada Real para aumentar a sua vontade de viajar

Confira os vídeos a seguir, com mais informações sobre a Estrada Real e imagens que provarão que essa viagem definitivamente será inesquecível:

Dicas sobre a Estrada Real

Nesse vlog, o casal de viajantes oferece dicas imperdíveis de como aproveitar o percurso mineiro, períodos do ano mais indicados para curtir determinados pontos e como montar o seu roteiro de acordo com suas expectativas.

Roteiro de 6 dias pela Estrada Real

Nesse diário de viagem, você conhecerá a rota percorrida de 4×4, passando pelo Santuário do Caraça, Ouro Preto, Lavras Novas, Tiradentes, Bichinho, Carrancas e São João Del-Rei.

Estrada Real de moto

O primeiro vlog desse especial de 5 partes registra o percurso realizado de moto pelo Caminho Velho, partindo de Ouro Preto. Nele, você conhecerá mais das estradas, tanto a asfaltada como a de terra, com trechos beirando os trilhos.

Se prepare para desbravar a Estrada Real e todas as suas preciosidades. E, para tornar o seu roteiro completo, descubra o que fazer em Ouro Preto, umas das cidades mais famosas dessa aventura!